domingo, 22 de novembro de 2009

80

Eram aproximadamente cinco e meia da tarde, eu acho,... Estava nu no banheiro, esperava o água do chuveiro esquentar. Ouço um suposto batido na porta, mas de antemão pensei ser na porta ao lado. Fechei o chuveiro, esperei... E novamente, agora mais forte que da primeira, ouço as batidas na minha porta.
Não achava mais minha roupa, e um segundo daqueles parecia uma hora...
Me vesti finalmente, e abri. Havia chegado mais cedo que o dito por ele. Como sempre: me surpreendia.
Acho que posso viver por mais 200 anos, mas nunca me esquecerei, da imagem, daquela expressão ao abrir a porta. Ele estava mais lindo que o costume. Vestia um jeans, e uma camiseta preta. Mas não era isso que me referia, me referi, a seu olhar, que estava mais forte.
Ele tinha essa maneira linda de sorrir somente com os olhos, mas dessa vez ele caprichava, e confesso até, que aquilo me encabulava. Seu sorriso, já era maior que aquele de letras maiúsculas, havia atingido um patamar que me fazia entrar em êxtase, somente em vê-lo assim.
Nos beijamos, e o beijo tambem já tinha mudado. Tinha evoluído, o que era bom agora era ótimo.
-Tenho que tomar banho, estou fedido...
Ele não estava nada, estava perfeito daquele jeito. Mas não me opus.
Nos olhávamos tanto...
Brincávamos tanto um com o outro...
E por momentos eu entrava dentro da menina do olho dele, e me perguntava, se era digno de tanto. Entrava e ficava lá. Ele falava que me amava, e eu o amava tanto, mas aquele amor era tão fugaz, tão intenso, tão real, que não sabia como definir aquilo pra ele.
-Eu amo mais, dizia eu.
E as horas pareciam milésimos de segundo. Ele me chamava de mosquito!
Estávamos ali, a mercê de todo amor. Todo amor que existia no universo, toda forma pura de amar, toda forma terna de amar.
Estávamos ali... Atirados em uma cama, um sobre o outro alternadamente. Beijos, carícias, roçares dos sexos rígidos.
Estávamos ali, e nada mais importava.
E os nossos olhares falavam por nossas bocas. Já não era preciso a frase: EU TE AMO.
A sintonia mútua, anunciava já.
E todo aquele sentimento que envolvia aquele conjunto de tempo, era indiscritível. E a felicidade se tornava obrigatória diante daquilo tudo.
O carinho, o macio do cabelo, aqueles claros olhos, o corpo esguio que não desgrudava do meu, as sardas proporcionalmente espalhadas por suas costas, o toque das mãos, os lábios e seus beijos, os pés que cosqueavam os meus.
Mas os minutos não paravam, e a despedida se anunciava novamente.
Como da outra vez, triste eu ficava, por ter que me separar. Novamente lágrimas se materializavam dentro de mim.
-Me acompanha até a porta? perguntou ele docemente.
Fui, e o beijei como se fosse da última vez. O amava tanto, e sentia a reciprocidade.
A porta se fechou, e a imagem que ficava, era de seu sorriso de olhos me falando de coisas de amor.
Sentei-me desta vez na janela, a espera de sua passagem, a sete andares abaixo. Logo o vejo, e tão logo ele olha para cima, acenamos um ao outro. Esperei seu carro sair da garagem, e assim que saiu me direcionei para o lado oposto e observei a estrada. Estrada a qual ele passaria, e aguardei até o ver passar, e fui acompanhando os faróis, até eles sumirem.
Esta foi a última imagem vista daquele momento. Aquele simplismente agora era um dos momentos, pois outros tão ou mais intensos ainda viriam.
E o medo dava lugar a certeza.
A certeza que o amava, e que isso era um ciclo entre nós dois.

domingo, 15 de novembro de 2009

E...

E é tão bom falar de amor, não?
Não!
Melhor que isso, só o sentindo. É, só sentindo.
E os segundos passam, a temperatura varia inconstantemente...
Anoitece, amanhece, reanoitece, reamanhece, e ele está ali.
Forte, cada vez mais.
Bonito
Puro
Terno
Ele está ali, mas ELE não! Está um pouco longe fisicamente, mas o sentimento é sentido a cada rajada de vento.
O amor é sentido a cada observar de folha, que pendurada, trepida à brisa.
O amor é sentido a cada novo aroma descoberto.
O amor é sentido a cada vez que se olham, a cada vez que se falam, a cada vez que o telefone toca.
O amor é sentido a cada piscar de olhos, a cada entreolhar, a cada entrelágrima...
E o sentimento é tão forte que não há descrição.
E falar: EU TE AMO, parece não bastar mais.
E a paixão não pára.
E o Lenine já falou em sua canção " Paciência": - E a vida é tão rara, a vida não pára...
E te amar me faz tão bem.
E te amar me faz melhor...
Me faz crescer...
Me faz homem...
Me faz Gente.
És tão especial. E parece que a vida sem esse leão, não é vida.
E parece que as dificuldades, só ajudam, e fortalecem esse sentimento.
E a saudade desses claros olhos, fazem as lágrimas escorrerem ciclicamente.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eram vibrações que acalentavam

Aquele olhar me instigava, e eu queria mais e mais, eu o queria mais e mais.
Seus claros olhos haviam me dopado.
Mas eu não o tinha fisicamente, naquele instante.
A vida tinha tomado proporções doidas. Não sabia mais nada, não que isso fosse novidade para ele. E novamente a velha pratica da comparação se fazia presente. Ela dizia, mostrava, e até argumentava.
Tudo vivido até ali se tornara tão minúsculo, comparado aos ultimos dez dias...
Tudo até ali era apenas passado, por mais piegas e antiquado que isso posso ser!
Tudo até naquele momento era nada.
E naquele momento em que se aproximava, (eu já o esperava), o vi de longe, e logo mudei a diração do olhar, fingindo tranquilidade, e uma certa indiferença, (porém me corroía por dentro de ansiedade).
Naquele momento senti que o elo era fechado, e que esse sim seria definitivo.
Vieram as conversas, a ânsia de auto apresentação, as perguntas, as respostas, as dúvidas, as experiências... E tudo isso era regado a medo.
Mas a cada segundo que se passava, o elo se tornava mais forte, e o meu medo tambem.
O assunto não era limitado, fluía...
E quanto mais conhecia, mais eu queria.
E só depois veio o beijo.
E só depois veio o toque.
E só depois o medo foi embora, (em partes).
E só depois o desejo foi assumido.
As dificuldades existiam, e estavam mais que vivas. Mas nós estávamos mais vivos que elas!
Elas se faziam mais que presentes, e ele sempre se perguntava, como poderíamos tornar tudo mais fácil?
E eu respondia: -Não sei! por que de fato não sabia e ainda não sei. Talvez saiba, mas talvez tenha medo tambem de sugerir.
E naquele momento as palavras já não se faziam tão presentes quanto antes. Agora era a vez daqueles olhares, os que falam do coração.
Os olhares sem medo.
Os olhares que gritam em silêncio.
Os olhares que não podem ser substituídos por nenhum conjunto de palavras.
Os olhares sem idioma.
E naquele momento a paixão nascia.
E era tão linda, e eu sabia... Que nada daquilo era por acaso.
E dez dias tinham se passado, e parecia impossível o sentimento se multiplicar tanto e simultâneamente, a cada dia.
Era tudo inédito, era tudo ótimo.
A sensação do amor era bela, e acalentava. Esquecia-se de tudo que fazia mal, e à cabeça vinham só imagens de leão.
A sensação era única, e parecia ser infinita.
Essa sensação de surpresa era edificante.
É...
E dez dias haviam se passado, contudo o amor só crescia, e se tornava cada vez mais, mais visível.
Eram vibrações que acalentavam.
E pela primeira vez não se sentia mais só, e nem procurava a solidão.
Pela primeira vez sentia o amor em estado bruto.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sol novo

Eles queriam que não amanhecesse naquele dia, porém um não sabia desse desejo do outro. Ambos queriam aquele momento infinito, e ambos não sabiam.
Contudo amanheceu. Amanheceu um sol que queimava, em um dia abafado de verão, por entre os prédios, por entre todo aquele cimento, os raios do sol desenhavam figuras geométricas.
A cama estava quente, nós estávamos quentes. Um pouco quentes do calor, um pouco bastante de nós mesmos.
Os suores se misturavam, o cheiro diferenciado de pele.
O cheiro de sua pele que me instigava.
Seu cabelo exalava um aroma ainda melhor. O momento era de silêncio, não que não houvesse mais assunto, havia sim! Mas ambos previam a pseudoseparação, que ocorreria em instantes.
Observava a rachadura na parede, o desenho que os raios do sol projetavam na parede oposta.
Ouvia os sons, os mais diversos: buzinas incessantes, motores de carros, conversas, batidas. Aproveitava cada segundo, sentia tudo.
Ele olhava-me com seus claros olhos, como se quizesse me dizer algo, talvez quizesse mesmo. Previa ser tudo muito novo e inédito para ele, e era sim.
Mas o que me deixava pasmo era eu, que estava por muitas vezes sem ação, e tambem tudo me era inédito!
Ele foi tomar banho, enquanto aquilo, fumei um cigarro.
Ao acabar era minha vez, tomei banho me vesti, e fomos tomar café. Foi um café também silencioso, olhares, mas dessa vez novos olhares. Senti a diferença naqueles olhares, eles não se desviavam mais, eles tinham coragem agora, me infrentavam, me causavam curiosidade, eram fortes. E eu já não sabia mais o que sentia, e nem o que aqueles olhares diziam.
Fim de café, era hora da despedida. Eu o abracei e novamente vi a rachadura da parede, lágrimas internas se faziam vivas, vontade era de não sair daquele milésimo de segundo, vontade era de morrer ali, daquele jeito, eternizar aquilo.
Mas o tempo não é bobo, e anda dilacerante, freneticamente ritmado.
Acenos na janela, pensamentos soltos, vagos, uma saudade inexplicável. Saudade de segundos. Saudades.
Era hora de filosofar.
Era hora de pensar.
Era hora de voltar ao fantástico mundo de Alice.
Não!
Não era hora de nada disso.
Era apenas hora de amar.
Amar a cada segundo, a cada desenho novo de nuvem.
Amar a cada rajada de vento com poeira que deixa os olhos lacrimejando.
Amar a cada segunda, a cada força executada.
Amar a cada grito que nos invade.
Amar sem força.
Amar simplismente.
Amar como quem canta por prazer.
Amar como quem se realiza.
Amar pessoas com o sorriso aquele de letra maiúscula.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Durante o intervalo comercial

Devia passar já das onze da noite, era uma noite quente.
- Tu prefere jantar na parte de cima, ou na de baixo?
Era um restaurante a beira de uma rodovia, aconchegante, gostoso. Mas o mais fascinante, o que tornava fascinante, era sim a companhia.
-Por mim pode ser na parte de cima, quero fumar!
Sentou-se a mesa, a minha frente. Eu o olhei, porém ainda ele não suportava muito tempo meu olhar. Seus claros olhos piscavam e sorriam sem a boca, e a cada sorriso minha paixão se tornava mais fulminante.
-O que vai pedir?
Era tudo eu quem decidia? Mas sabia que ele estava sendo educadíssimo, afinal eu era novo ali.
-Quero massa! Com esse molho de frango. ... Tu gosta de salada? Vamos pedir essa?
Ele concordara. Fumei um cigarro, ele já estava na metade do seu. Tinha uma maneira peculiar em exalar a fumaça. Era belo, era jovem, era sedutor... Ele me envolvia, me deixava louco, mas eu não demonstrava isso.
O jantar chegou, a comida era ótima. Massa ele não comeu, ficou nos vejetais somente, eu era de carboidrato, e avancei. Enquanto comia eu o olhava, não conseguia parar. Observava cada trepidação de seu corpo. Estava lindo, era lindo, me fazia lindo, juntos éramos lindos. Me bateu uma melancolia derrepente, até agora não sei ao certo o motivo daquilo. Fui ao banheiro, voltei. Ele fumava, ascendi meu cigarro... Me falou que estava muito quieto, e estava mesmo, como falei antes, não existia explicação concisa.
-Vamos embora?
No caminho conversas paralelas... Conversas de percurso, conversas para se pensar...
No quarto, corpos sem camisa, e sem calça, vestidos apenas para o sono. E quem sentiria sono em uma noite daquelas? Era uma noite sem tempo para bobagens como o sono. Era noite em que se olhavam, noite que se tocavam, noite que se sentiam, noite em que os corações dilaceravam, noite que se amava. O cheiro de seu cabelo, era exalado naturalmente. Seus crespos fios embaralhavam-se aos meus, narizes brincavam, cílios cosqueavam, a saliva quente, os lábios macios ...
Corpos brancos, corpos com sardas, que se roçavam, desejo exibido de ambos.
Eram noites quentes...
Eram tristes amanheceres...
Amanheceres em que se acenava na janela, assistindo a ida de um amor.
Eram dias de leões.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A surpresa da SURPRESA

Sabe aqueles dias que passam, e... deixam uma saudade que chega até a doer?
Sabe aquelas noites que não se dorme? Noites com poucas palavras. Noites que se vela o sentimento, noites do amor puro...
E, sabe o destino?
E os leões? E sua jubas?
São leões que se acalentam com suas jubas...
São dóceis leões, que só querem viver, um segundo por vez...
E sabe aquela arte de expressar a opinião?
E sabe aquelas opiniões que divergem das suas próprias? Que te fazem pensar... é, fazem pensar! e pensar é bom!
E as surpresas? A arte de surpreender, é para poucos...
E sabe aquelas pessoas? Aquelas pessoas: - GENTE..
Que não só ouvem, mas falam também...
Que olham nos olhos,( e as vezes, não suportam a força do olhar), que falam com os olhos...
Que tem temperatura...
Que executam as coisas na hora certa...
Noites quentes, dias mais ainda...
O suor, o cheiro de gente, o cheiro de pele...
Teu misterioso frio, meu incessante calor...
O roçar da barba, tuas cócegas...
Mordidas, manchas na tua pele branca, tuas sardas, tua juba...
Tua timidez, meu sexo rígido... teus claros olhos, minha quente boca...
Teu sorriso natural, teus olhos sorrindo junto...
Poucas palavras, sentimento a flor da pele...
Além de qualquer palavra ele estava lá nos velando, o SENTIMENTO.
Gosto muito de você, leãozinho...