quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Chutando cachorro morto

Novamente me pego a refletir. Aqui com meu cigarro, nesta mesma cama, que era vestida com lençóis verde-claros, que agora veste-se com azuis. Aqui com o barulho da descarga do banheiro, recentemente acionada; aqui onde vejo de relance a tela que retrata o busto de uma oriental.
As meias esquentam meus pés, a geladeira acaba de ligar seu motor, o relógio assume um ritmo dilacerante, e os grilos juntamente ao coachar dos sapos, me encomodam. A madeira da casa esporradicamente apresenta ruídos, ouço tosse. O cigarro se encontra pela metade. E nada acontece. Ultimamente, minha vida toda se resume nessa ultima frase: -NADA ACONTECE! ou melhor, acontece não acontecendo, acontece de forma não pretendida.
A merda dos projetos. A porra da engenharia dos planos. Esse cú!. Não estou com raiva, nem estou irritado. Na verdade não sei o que estou... Estou vivo apenas.
E as perguntas permeiam, e invadem-me, e ofuscam-me, e irritam-me, tiram-me o sossego essas dúvidas. Será como sou aos olhos dos mais diversos seres? O que aparento ser? O que sou? O que pensam que sou?
Muitos podem achar besteira, preocupar-se com o que pensam ao nosso respeito, confesso já ter pensado assim. Confesso tambem ter mudado de idéia nesse quezito. E o que vale mais, ter sua consciência limpa, ou parecer que se tem uma limpa? Concluo hoje, que vivemos de aparência, que vivemos de política, que vivemos como seres sociáveis, e isso é o que importa para a grande massa. E essa eterna luta em remar contra a maré, é satisfatória? Confesso que já não sei, confesso que ultimamente sei bem pouco sobre tudo, confesso que não sei nada. Confesso que o esquema bolado em mim, deu uma guinada e se espatifou. Confesso nem saber se presto ou não. Confesso que cansei de tudo. Não aguento mais aquela frase: - SÃO FASES... Não sei mais se quero falar, se quero resolver meus problemas. Cansei de gente! Cansei desse tipo de gente que eu conheço. Cansei de gente que come pelas beiradas, gente tangível, gente que pra comer teu cú, começa falando do teu lindo cabelo, da tua genial inteligência, do teu belo nível cultural, do teu bom cheiro...
Gente que ilude, gente que promete, gente que não cumpre, gente sem ombridade.
Cansei de mim que me iludo. Idiota que sou! a sutileza sim parece ser um peso que ninguém sabe como carregar, todos preferem estar confortáveis.
Quer comer meu cú? Porra! Fala! não precisa falar das minhas qualidades pra isso. Direção. Sejamos diretos! Mas andar em forma de espiral parece ser mais conveniente. Parece ser mais politicamente correto. Parece ser mais mediano.
Ser mediano é o cú. Seja ou não seja e pronto! Ou ao menos assuma não saber se é ou não.

Sempre falo em relacionamentos, e gosto de falar nisso, por talvez ser algo tão abstrato e tão real ao mesmo tempo, é a mistura de extremos. E essa mistura me fascina. Sabe... Sonho um dia em ser feliz, sonho com o toque leve do violão, sonho com um corpo vestido somente de cueca o tocando. Sonho com lábios que não falam e sim tocam. Sonho com a pele trêmula que roça em meus pêlos. Sonho com cafunés. Sonho com aquelas noite em que nem se dorme. Sonho com aquelas noites em que se ama. Sonho com aquela sensação de amor que invade através de um olhar despretencioso. Sonho com o silêncio em dupla, que perdura por horas e nem encomoda. Sonho com aquele sexo, o bom. Sonho com bons conselhos, de uma boa pessoa. Sonho com uma pessoa de verdade. As vezes até sonho em viver normalmente, mas depois vejo que assim é bem mais real e conveniente.
Deixe eu ascender mais um cigarro...

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