sábado, 7 de novembro de 2009

Sol novo

Eles queriam que não amanhecesse naquele dia, porém um não sabia desse desejo do outro. Ambos queriam aquele momento infinito, e ambos não sabiam.
Contudo amanheceu. Amanheceu um sol que queimava, em um dia abafado de verão, por entre os prédios, por entre todo aquele cimento, os raios do sol desenhavam figuras geométricas.
A cama estava quente, nós estávamos quentes. Um pouco quentes do calor, um pouco bastante de nós mesmos.
Os suores se misturavam, o cheiro diferenciado de pele.
O cheiro de sua pele que me instigava.
Seu cabelo exalava um aroma ainda melhor. O momento era de silêncio, não que não houvesse mais assunto, havia sim! Mas ambos previam a pseudoseparação, que ocorreria em instantes.
Observava a rachadura na parede, o desenho que os raios do sol projetavam na parede oposta.
Ouvia os sons, os mais diversos: buzinas incessantes, motores de carros, conversas, batidas. Aproveitava cada segundo, sentia tudo.
Ele olhava-me com seus claros olhos, como se quizesse me dizer algo, talvez quizesse mesmo. Previa ser tudo muito novo e inédito para ele, e era sim.
Mas o que me deixava pasmo era eu, que estava por muitas vezes sem ação, e tambem tudo me era inédito!
Ele foi tomar banho, enquanto aquilo, fumei um cigarro.
Ao acabar era minha vez, tomei banho me vesti, e fomos tomar café. Foi um café também silencioso, olhares, mas dessa vez novos olhares. Senti a diferença naqueles olhares, eles não se desviavam mais, eles tinham coragem agora, me infrentavam, me causavam curiosidade, eram fortes. E eu já não sabia mais o que sentia, e nem o que aqueles olhares diziam.
Fim de café, era hora da despedida. Eu o abracei e novamente vi a rachadura da parede, lágrimas internas se faziam vivas, vontade era de não sair daquele milésimo de segundo, vontade era de morrer ali, daquele jeito, eternizar aquilo.
Mas o tempo não é bobo, e anda dilacerante, freneticamente ritmado.
Acenos na janela, pensamentos soltos, vagos, uma saudade inexplicável. Saudade de segundos. Saudades.
Era hora de filosofar.
Era hora de pensar.
Era hora de voltar ao fantástico mundo de Alice.
Não!
Não era hora de nada disso.
Era apenas hora de amar.
Amar a cada segundo, a cada desenho novo de nuvem.
Amar a cada rajada de vento com poeira que deixa os olhos lacrimejando.
Amar a cada segunda, a cada força executada.
Amar a cada grito que nos invade.
Amar sem força.
Amar simplismente.
Amar como quem canta por prazer.
Amar como quem se realiza.
Amar pessoas com o sorriso aquele de letra maiúscula.

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