sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Submarino 1988

Os pingos da chuva, hoje nem parecem pingos, são fios extensos, fortes, vigorosos que descem diagonalmente de acordo com o vento.
Fortes ficam esses fios com o rajar do vento. Ele sopra e assobia descompassadamente num ritmo lânguido.
É incrível, como dias de chuva me fazem relembrar, me tornam um ser bucólico, me remetem a um passado intensamente vivído. E como esse exercício de recordar é bom, é energizante por momentos. Mas é só bom se feito dosadamente. Bom mesmo é agora, é o barulho das teclas do meu computador escrevendo essa combinação de palavras; é o som da trilha sonora da novela que minha mãe assiste; é a goteira que respinga ao cair; é o pensamento que não pára, é a mente que cogita, e cogita, e não pára de cogitar, são as mãos que tremem ao pensar; os cílios que trepidam, e o pensamento inciste ali, ele não desfoca.
Será?
Será que agora será?
Resta-me esperar, e deixar o desfeixo final, ou não-final, e sim sucessivo.
Peço ajuda a Martha Medeiros, ela sempre me dá bons conselhos, e desta vez sei que vai!
E a chuva?
Ela me acolhe, e eu sinto seus vigorosos pingos, ao cantar só de cueca sob ela.
Chuva e vento, amo como bala de goma.

3 comentários:

  1. EU JÁ FALEI MUITAS VEZES SOBRE A CHUVA E SEU LÂNGUIDO DEVIR. MAS A TUA CRÔNICA SOBRE A ÁGUA QUE CAI ME LEVOU A PENSAR NA DIMENSÃO DA INTERAÇÃO ENTRE ESSES ATÔMICOS MOMENTOS DE SOLIDÃO REMEMORATIVA. VIAJEI NA ONDA DAS GOTAS, NA IMENSIDÃO DE SUA EXISTÊNCIA ÍNFIMA!


    ABRAÇÃO

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  2. Eu sempre viajo com a chuva... Ela realmente me entende, é mútuo, as gotas, o frescor, o sentimento de limpeza... algo confortante, me eleva , me transporta...

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  3. E ela traz sim muitas lembranças e sensações e sentimentos diferentes, que não condizem com dias de sol.

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