segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Fada do sonho?

Quando eu abro meus olhos, caio no sono.
E não consigo dormir com eles fechados.
Acordo pra vida ao fechá-los.
É tudo mais confortante no breu.
Uso chinelos um de cada tipo, com tiras uma de cada tipo.
Sento-me na grama molhada, insetos me permeiam.
A abelha pousou sobre meu pulso, e lambe viçozamente, e virilmente o meu salgado suor.
São dias primaveriis, dias quentes.
Dias de vento nortenho forte, as folhas mostram sua face escondida, revelando um verde branco.
Dias longos em certo sentido, e curtíssimos em outros.
Sinto como se meus pêlos não crescessem mais.
A minha pele tem um aroma naturalmente inconvencional.
Quando trago a fumaça do meu cigarro barato, me sinto no ponto mais alto da rodagigante.
O banquinho balança, movimentando-se em forma de pêndulo.
A fumaça desenha caudas, flagelos e levitam formando estradas de contos de fada.
Sabe... Sonhei que estava em um...
Mas era eu em um mundo indenominável.
Não eram corpos, não havia clima, nem temperatura.
Me senti como um barulho, um ruído de vento, me locomovia muito rápido.
Tinha um desejo sexual muito forte, era uma cósega, uma certa dor que eu gotava de sentir.
Era banhado com medo, um medo bom, ora até chamado de esperança, ora até chamado de surpresa; boa ou ruim.
Eu me satisfazia cada vez mais, quanto mais rápido, mais intenso era meu gozo.
Era um belo conto de fadas aquele, era um conto sem final, era temperado com reticências.
Adorava o gosto delas, para alguns podia ser sentido como um gosto lânguidamente lacônico, mas para mim era um tempero asiático, intenso, de pontos altos e expressivos.
Não consigo mais fechar meus olhos sem claridade.
Tenho medo, preciso de claridade, para poder ver aquele marrom avermelhado de luz, que atravessa a fina camada de tecido da minha pálpebra.
Vejo círculos que se desenham automaticamente no quase breu da minha visão.
Eles me invadem, me mutilam, e novamente me satisfaço com seus frenéticos movimentos ritmados miocardicamente.
Durmo com lanterna, e sinto remorço ao acordar.
Mas não sinto desejo de dormir.

Um comentário:

  1. Todos os ritmos, os aromas, as sensações...
    Necessidade extrema de viver.
    É assim que a gente vive.

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